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Fissuras, brechas, “parafusos” soltos: estes são alguns dos problemas da Ponte 25 de Abril que têm vindo a ser detetados.

O alerta é do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), num documento divulgado pela “Visão” e entregue o mês passado ao Governo, que apela à urgência de obras de manutenção na ponte, e cujo valor requerido ascende até aos 20 milhões de euros.

O aviso estava dado, só faltava a “luz verde” das Finanças para avançar com os trabalhos: de acordo com a “Visão”, o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira, estaria já há seis meses a aguardar pela aprovação do gabinete de Mário Centeno para se libertarem os 20 milhões de euros necessários para avançar com as obras.

Mas os problemas não são de agora, pelo menos desde há três anos que se têm vindo a detetar anomalias em determinadas zonas da ponte, concretamente no tabuleiro rodoviário e local de circulação dos comboios. É por isso que as obras precisam de avançar com urgência, caso contrário, avisa o LNEC, poderá ser necessário restringir-se o tráfego de pesados e de comboios de mercadorias.

Mas não foi só o LNEC que enviou relatórios à Infraestruturas de Portugal (IP) a alertar da situação, também foi o caso de vários organismos como o Instituto de Soldadura e Qualidade – organismo privado contratado pela IP -, a consultora norte-americana Parsons e o Conselho de Segurança da Ponte 25 de Abril.

Todos avisavam para a necessidade de obras urgentes devido ao aumento de brechas, nomeadamente nas treliças transversais – estruturas que ligam a viga de rigidez aos cabos suspensos e que permitem suster a ponte – e à existência de vários parafusos sem aperto no sistema de fixação das travessas dos caminhos de ferro.

Porém, como referem os peritos citados no artigo da “Visão”, de momento a ponte não está em risco. A ponte está segura, garantem. Mas as obras precisam de avançar.

 

Empreitada de trabalhos de restauração é lançada este mês

Praticamente no mesmo dia que a investigação do LNEC é publicada pela “Visão”, a IP anuncia que será lançado um concurso público internacional, “no decorrer deste mês”, para iniciar os trabalhos de manutenção, prevendo-se um prazo de execução da obra de dois anos.

De acordo com a IP, citada pela agência Lusa, as intervenções vão incidir essencialmente sobre os elementos metálicos da ponte suspensa elementos de betão armado pré-esforçado do viaduto de acesso norte.

O projeto de reparação irá também contar com soluções técnicas apontadas pela Parsons, empresa projetista que detém os direitos de autor do projeto de construção da Ponte, e pela TalProjecto, empresa projetista portuguesa na área das estruturas metálicas.

De modo a evitar o congestionamento do trânsito por causa das obras, o IP garante também que os trabalhos de manutenção serão realizados durante a noite e aos fins de semana.

Uma média de 160 mil automóveis e 160 comboios, com cerca de 80 mil passageiros, atravessam a Ponte 25 de Abril todos os dias.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Como é que é possível termos chegado a este ponto?
    Quando é que foi a última vez que a Ponte 25 de Abril foi intervencionada?
    O que é que é feito ao dinheiro que todos os dias milhares de automobilistas pagam para atravessar a Ponte 25 de Abril?
    Ao que parece, andam a discutir o sexo dos anjos e a brincar com questões de segurança por causa de 20 milhões de euros (á espera do ministro)…isto tudo se passa em simultâneo com o estado a injetar 5 mil milhões na CGD (por exemplo)….
    Algo está mesmo muito errado em Portugal.
    Se a ponte ruir, o país que colapsa!
    Mas a grande questão que se coloca é a seguinte: Uma 3a Ponte devia ter sido construída á pelo menos 10 anos atrás, porque é que não foi?
    Responsáveis – Zero.
    Uma vergonha!!!!!

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