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A reitora da Universidade de Évora confirmou esta quinta-feira as buscas do Ministério Público e da Polícia Judiciária, na sequência de denúncias, mas garante que “não se identificam factos ilícitos que lhe sejam imputáveis”.

As diligências do Ministério Público (MP) e da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (PJ) decorreram no inicio da semana e, segundo o MP, foram apreendidos “elementos de prova” nas instalações da Universidade de Évora (UÉ), no âmbito de dois inquéritos pendentes no DIAP de Évora.

Em causa, estarão factos relacionados com procedimentos concursais, uso abusivo de meios e contratação de serviços, que terão ocorrido entre 2009 e 2017.

“Eu recebi a cópia de uma denuncia”, contou aos jornalistas Ana Costa Freitas reitora da Universidade de Évora, classificando o seu conteúdo como “coisas infundadas e muito pouco objetivas”.

“Pelo que me chegou, penso que é uma denuncia anónima, mas o nosso advogado está desde ontem a tentar ver o processo, mas ainda não foi deferido nem autorizada a sua consulta”, acrescenta.

Ana Costa Freitas foi reeleita, em março, para um segundo mandato. Há quatro anos, lembrou, quando foi eleita pela primeira vez, aconteceu uma situação muito semelhante: “não estou minimamente preocupada”, mas “acho que é lamentável, desagradável para a universidade e é uma vontade de denegrir o nome da universidade e o meu, em particular”.

A responsável não deixa, contudo, de se mostrar surpreendida. “Foram dois processos seguidos, este e o das análises no Porto de Sines”, recorda, sublinhando que “há um ataque a mim própria”, mas reconhecendo ter ficado “mais afetada” com as implicações na “imagem da universidade e de toda uma comunidade académica que acaba por ficar envolvida”.

Ana Costa Freitas espera que os inquéritos “sejam arquivados”, esclarecendo que a partir do que é conhecido “não se identificam factos ilícitos que lhe sejam imputáveis”.

Em comunicado anterior às declarações da reitora, a Universidade fez saber que “está empenhada em participar ativamente nas investigações em curso para provar a lisura da sua atuação, em prol da defesa da sua imagem, do seu bom nome e da dignidade da comunidade académica que a constitui”.

Ainda de acordo com o MP, “não existem arguidos constituídos”, mas a comprovarem-se as denuncias “serão suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, peculato, peculato de uso, abuso de poder, tráfico de influências e participação económica em negócio”.

 

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