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O partido Cidadãos foi o mais votado, mas os três partidos independentistas têm maioria absoluta no Parlamento. Inês Arrimadas e Carles Puigdemont festejaram o triunfo, mas é o líder fugido na Bélgica que parece mais bem colocado para a presidência da Catalunha, se não for preso entretanto.

A vitória foi do Ciudadanos de Inès Arrimadas, mas a maioria absoluta não. Essa pertence aos independentistas – ERC, Juntos pela Catalunha e CUP – que ainda podem formar governo. Juntos, conseguiram eleger esta noite 70 deputados. O Ciudadanos ficou-se pelos 37. Ainda assim, é claro para Arrimadas qual o rumo a seguir: “A maioria na Catalunha é a favor da união com a Espanha. Os independentistas não podem mais falar como se falassem em nome de todos”, afirmou a líder no seu primeiro discurso após serem conhecidos os resultados das eleições, em que fez ainda questão de nos ajudar a fazer as contas. “Disseram-nos que somos uma flor de um dia mas um em cada quatro catalães confiou no nosso partido”.

Carles Puigdemont, o ex-presidente da Catalunha que continua exilado em Bruxelas, conseguiu um surpreendente segundo lugar e celebrou-o sem parcimónia. Nas palavras, pelo menos. “A república catalã derrotou a monarquia do 155”, afirmou. Menos alegres e com razão estavam Xavier García Albiol, líder do PP na Catalunha, Miguel Iceta, líder dos socialistas catalães do PSC e Xavier Domènech, líder da coligação Catalunha em Comum. De formas diferentes, todos eles admitiram ter fracassado.

O futuro permanece incerto na Catalunha. A região continua dividida e não há um mensageiro neutro para enviar a Madrid. Os independentistas saem não só vencedores em números de deputados como revigorados, quase vingados depois de terem sido tratados por Rajoy como uma força minoritária que se podia esmagar. Será muito difícil a Arrimadas vir a ser investida como Presidente de um bloco que lhe é francamente hostil e não existem duas pessoas mais diferentes no espectro político catalão do que Puidgemont e Arrimadas.

A CUP, partido antisistema à esquerda, conseguiu quatro lugares e não vai deixar Puidgemont esquecer que lhe são essenciais à governação. “São quatro lugares de ouro”, disse Carlos Riera, cabeça de lista do partido. Com a CUP no governo então é mesmo quase impossível – se não fosse já com o ERC e o Juntos pela Catalunha – pensar numa aproximação com Espanha. Resta saber também como é que Puidgemont vai governar, já que pode ser preso assim que toque em solo – até ver – espanhol.

 

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