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O conselho é deixado pelo secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, que denunciou, juntamente com a Ordem, a decisão daquele hospital de Lisboa para o período noturno.

Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) aconselha os doentes e utentes do Hospital de São José, em Lisboa, a não ficarem doentes à noite.

“É melhor ficar doente durante o dia. À noite, é melhor não ficar doente. Ou então dirigir-se a outro local onde têm radiologistas durante a noite”, afirma na Manhã da Renascença.

É a reação à decisão daquele hospital, pertencente ao Centro Hospitalar de Lisboa Central, de deixar de ter médico radiologista entre a meia-noite e as 8h00. Os exames serão analisados à distância, via telemedicina.

“As consequências, na prática, é que a qualidade dos serviços piora”, garante Jorge Roque da Cunha. “Quando se tira uma imagem, quando poderá haver uma dúvida, o cardiologista dá instruções para que se altere o plano, para que se altere a posição do doente. Se é necessário, por exemplo, introduzir um contraste, o exame não vai continuar”, exemplifica.
Em comunicado enviado à Renascença, o centro hospitalar já desvalorizou a situação, afirmando que a ausência de radiologista durante a noite não prejudica os utentes e destacando que a telemedicina é uma boa prática de recursos humanos, frequente em Portugal e no resto do mundo.

O dirigente do SIM considera lamentável esta tomada de posição da administração do hospital e do ministro da Saúde.

“É lamentável que o conselho de administração, perante um problema sério, tape o sol com a peneira e diga que não há problema; que em relação a uma boa prática que tinha e crie uma péssima prática e justifique a péssima prática”, começa por criticar.

Roque da Cunha lembra que o Hospital de São José é “um hospital de referência, um hospital de fim de linha no centro da cidade de Lisboa, da capital do país”, com “um serviço de referência”.

Dizer “que é indiferente o radiologista não interagir com o cirurgião, com o ortopedista, não estar em presença física, não estar em prevenção” é “banalizar a situação e fazer com que a bitela seja menor”, sustenta.

A decisão do Hospital de São José foi denunciada pela Ordem dos Médicos, para quem a medida é impensável e põe em risco os doentes, e pelo SIM.

 

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