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Numa entrevista ao príncipe Harry, o antigo Presidente dos Estados Unidos diz que, apesar de todos os problemas, olha para o futuro do mundo com optimismo.

Desde que saiu da Casa Branca, Barack Obama tem estado afastado da vida pública – uma  opção tradicionalmente seguida pelos ex-Presidentes norte-americanos quando passam o testemunho e evitam tecer comentários às opções dos líderes no poder. Porém, numa entrevista publicada nesta quarta-feira – e conduzida pelo príncipe Harry (quinto na linha de sucessão da casa real britânica) –, Obama levanta um alerta sobre as consequências do uso irresponsável das redes sociais que divulgam informações falsas ou que fazem com que assuntos complexos não sejam completamente compreendidos pelas pessoas.

Sem referir nomes, sublinhou que aqueles que estão em cargos de poder devem ser ainda mais cuidadosos quando publicam mensagens nas redes sociais. Uma mensagem que parece servir como uma luva ao seu sucessor na Casa Branca, Donald Trump,  conhecido por ser um utilizador intensivo do Twitter, onde escreve através de uma conta pessoal e não através da conta oficial do Presidente dos EUA.

“Todos nós, líderes, temos de encontrar formas que permitam manter um espaço comum na Internet”, avaliou Obama. “Um dos perigos é que, nas redes sociais, as pessoas podem viver numa realidade completamente diferente – vincou o ex-Presidente – e ficar numa bolha de informação que apenas reforça os seus preconceitos”.

Obama afirmou ainda estar preocupado com um futuro em que os factos são descredibilizados e as pessoas só lêem e vêem coisas que reforcem as suas convicções.

“A questão tem a ver com a forma como aproveitamos esta tecnologia que permite uma multiplicidade de vozes, permite uma diversidade de pontos de vista”, sublinhou.

Barack Obama sugeriu ainda que um contacto pessoal ajuda a contrariar as perspectivas mais extremistas.

“As redes sociais são uma ferramenta poderosa para pessoas com interesses em comum, para que se possam conhecer e ligar-se”. Não obstante, reforça, “é importante tirá-las para um mundo offline”. “Porque a verdade é que na Internet, tudo é simplificado e quando se conhece as pessoas cara a cara, verifica-se que as coisas são mais complicadas do que pensávamos.”

Sobre as pressões de ser Presidente, Obama concentrou a sua resposta nas consequências para as pessoas que o rodeiam. “É difícil, a vida pública é desagradável em muitas maneiras. É um desafio”, comentou. “As pessoas que te serão queridas ficam vulneráveis de muitas maneiras.”

“Todos devem estar em paz quando decidem entrar na política. Mas, em última instância, penso que as recompensas de trazer mudanças positivas ao mundo valem a pena”, avalia.

Obama foi convidado pelo príncipe Harry, que foi o director convidado desta quarta-feira no programa Today da Radio 4 da BBC. A entrevista foi gravada em Setembro, durante os Jogos Invictus de Toronto, um evento desportivo internacional em honra dos veteranos de guerra.

Obama partilhou que a saída da Casa Branca lhe suscita um sentimento de “serenidade”, mas também “sentimentos contraditórios” em relação ao “trabalho que ficou por fazer” e “preocupações com o futuro” do país.

“Se assumirmos a responsabilidade de estarmos envolvidos no nosso próprio destino, se participarmos, se nos envolvermos, se falarmos, se trabalharmos nas nossas comunidades, se formos voluntários, então todos os problemas que enfrentamos têm solução, apesar de todas as terríveis notícias que vemos todos os dias.”

E termina com uma nota positiva: “Se tivesse de escolher um momento na história humana para nascer, provavelmente escolheria hoje porque de facto o mundo é mais saudável, mais rico, mais educado e mais tolerante, mais sofisticado e menos violento”.

A entrevista de 40 minutos contou ainda com um momento mais descontraído, durante o qual Harry desafiou o ex-líder norte-americano a escolher entre filmes como Ataque ao Poder e Assalto à Casa Branca, LeBron James e Michael Jordan (escolheu Jordan), Aretha Franklin e Tina Turner (escolheu Aretha), Rachel e Monica da série Friends (Rachel) ou a série The Good Wife ou Suits (protagonizada pela noiva de Harry, Megan Markle). O ex-Presidente respondeu Suits e ouviu um “boa resposta”.

Para além de Obama, Harry entrevistou também o pai, príncipe de Gales, e escolheu a saúde mental e a produtividade do país como temas de conversa.

 

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